Vishing: como funciona o golpe feito por ligação
Vishing é o golpe feito por ligação: alguém liga, ou toca uma gravação, se passando por banco, operadora, suporte técnico, órgão público ou parente, para conseguir seus dados, um código, uma transferência ou acesso ao seu celular. O número que aparece na tela pode ser falsificado e não serve de prova. Se a ligação pedir senha, código ou dinheiro, desligue e procure a empresa pelo canal oficial.

De onde vem o nome vishing
O nome junta “voice”, voz em inglês, com phishing, o termo usado para mensagens falsas que tentam “pescar” os dados de quem recebe. A diferença é que, numa ligação, quem aplica o golpe responde às suas dúvidas na hora e ajusta a história ao que você diz. Por isso uma ligação confiante e bem conduzida ainda pode ser falsa.
O golpe muitas vezes começa por escrito. Um SMS avisa de uma compra alta e pede que você ligue para um número para cancelar, o que junta o golpe por SMS com a ligação. Do outro lado, a conversa usa as técnicas de engenharia social: autoridade, urgência e um problema que só a pessoa na linha diz poder resolver.
O roteiro de uma falsa central
A Febraban, a Federação Brasileira de Bancos, descreve várias versões do mesmo golpe: compra suspeita de valor alto no cartão, um celular novo conectado à sua conta, uma investigação que exige mover o dinheiro para uma “conta segura”. Os golpistas passam a ligação para diferentes “setores”, como segurança ou ouvidoria, e usam músicas de espera iguais às dos bancos para parecer reais.
Um exemplo
O celular toca às sete da noite. Uma voz calma diz ser da central de segurança do seu banco e pergunta se você reconhece uma compra de R$ 3.800 numa loja de eletrônicos. Você diz que não. A pessoa confirma seu nome completo e os quatro últimos números do cartão, transfere a ligação para o “setor de fraudes” e, depois da música de espera, pede que você instale um aplicativo de proteção e mova o saldo para uma conta segura até a compra ser cancelada. Cada passo parece cuidadoso, mas os dois últimos pedidos são justamente os que um banco não faz.

O que o banco nunca pede
A Febraban lista o que os bancos não fazem numa ligação. Se alguém pedir uma destas coisas, é golpe:
- senha, dados pessoais ou token, o código que o aplicativo ou o SMS gera para confirmar uma operação;
- transferência ou Pix para resolver um problema na conta, inclusive para uma “conta segura”;
- instalação ou atualização de aplicativo;
- entrega do cartão a um motoboy;
- “testes” com Pix, estornos ou pagamentos.
Os bancos também não usam pressão e urgência para que você faça algo naquele minuto. O atendente de verdade não precisa que você transfira dinheiro para provar que a conta é sua.
Desligue e ligue você mesmo
Enquanto a chamada continua, quem ligou controla o ritmo e responde a cada objeção. A orientação da Febraban é desligar na hora e procurar o banco pelo número do verso do cartão ou pelo site oficial. Na página sobre o golpe da falsa central de atendimento, a Febraban recomenda fazer essa ligação de outro telefone, porque há golpes em que o criminoso continua na linha quando a pessoa liga para a central logo em seguida.
Uma central verdadeira aceita que você retorne por um canal oficial. Se a pessoa insiste para que a ligação não termine, isso já é motivo para encerrar. Desligar também dá tempo de falar com alguém próximo e de abrir o aplicativo do banco para ver se a compra existe.
O número na tela e o selo de ligação verificada
Golpistas conseguem fazer aparecer na tela um número que não é o deles, inclusive o do verso do seu cartão, como explicamos em o número na tela pode ser falsificado. Em vez de tocar em “retornar”, abra o aplicativo do banco ou digite o endereço oficial para encontrar o telefone.
Algumas empresas já usam o selo “Número Validado”, do sistema de autenticação de chamadas da Anatel, que mostra o nome da empresa quando a ligação passou por uma checagem de origem. Uma chamada com esse selo é um sinal melhor que um número comum. A falta do selo, porém, não prova golpe, porque muitas empresas ainda estão aderindo, e nenhum selo é motivo para passar senha, código ou fazer transferência durante a ligação.
Se você fez um Pix ou transferência
- Ligue para o banco agora, pelo número do verso do cartão ou pelo aplicativo, de outro telefone se puder. A Febraban orienta avisar o banco imediatamente para que ele adote medidas como o bloqueio do aplicativo e da senha de acesso.
- Conteste o Pix no aplicativo. Abra o comprovante e use a opção de contestar. Isso pede a devolução pelo MED, o Mecanismo Especial de Devolução do Banco Central, que aceita pedidos em até 80 dias, mas faça o quanto antes. Se foi TED ou outro tipo de transferência, peça ao banco o que ele pode fazer. Os detalhes estão em o que fazer depois de um golpe do Pix.
- Registre um boletim de ocorrência, como recomenda a Febraban. Em vários estados dá para fazer pela Delegacia Virtual do gov.br; se o seu estado não aparecer, use a delegacia online do estado ou vá a uma delegacia.
- Anote o que lembrar da ligação: horário, número que apareceu, nome que a pessoa usou e o que ela pediu. Guarde comprovantes e protocolos.
Se você instalou um aplicativo
Muitos aplicativos pedidos nessas ligações são de acesso remoto, o tipo de programa que deixa outra pessoa ver e mexer na tela do seu celular ou computador à distância. Desconecte o aparelho da internet e não abra contas importantes nele. Use outro aparelho para falar com o banco e trocar senhas.
No banco, no e-mail e no WhatsApp, procure a lista de aparelhos conectados, que mostra onde a sua conta está aberta, e encerre os que você não reconhece. Depois, procure uma assistência técnica de confiança para remover o programa e verificar o aparelho.
Fontes consultadas
As informações foram checadas em 18/09/2026 nestas páginas:
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