Golpes mais comuns na internet:
5 situações e o que fazer
Os golpes mais comuns na internet são o falso banco, o falso parente com número novo, a falsa taxa de entrega, o falso suporte e a oferta ou prêmio que pede pagamento antes. As histórias mudam, mas os pedidos se repetem: enviar dinheiro, passar um código ou senha, instalar um programa ou abrir um link.

Em muitos golpes, a história serve para conduzir você a uma ação: pagar, informar algo secreto, instalar um programa ou entrar em uma página preparada pelo golpista. Reconhecer o pedido ajuda mais do que tentar decorar dezenas de nomes.
O glossário do Ministério da Justiça e Segurança Pública descreve golpes em que alguém se passa por outra pessoa ou empresa, fraudes bancárias digitais, ofertas falsas e outros tipos de fraude. As cinco situações abaixo são exemplos frequentes, não um ranking nem uma lista completa.
O problema atinge muita gente. Em pesquisa divulgada em outubro de 2024, o DataSenado calculou que 24% dos brasileiros com mais de 16 anos, mais de 40,85 milhões de pessoas, tinham perdido dinheiro com algum golpe digital nos 12 meses anteriores. O mesmo levantamento não encontrou um perfil claro de vítima: renda, escolaridade, idade e região apareceram em proporção parecida com a da população.

Como ler estas cinco situações
A cartilha preventiva do CERT.br reúne golpes que chegam por mensagem, ligação, anúncio e página falsa. O assunto pode ser uma conta bancária, um parente, uma encomenda, um atendimento ou uma oferta. O ponto prático é observar o que a pessoa quer que você faça e procurar a informação fora daquele contato.
Os exemplos entre aspas neste artigo são fictícios. Eles mostram frases plausíveis, sem copiar mensagens, marcas, telas, números ou canais oficiais de empresas reais.
| Golpe | O que pede | Onde verificar |
|---|---|---|
| Falso banco | Link, código, senha ou instalação de aplicativo | No aplicativo do banco ou no número do verso do cartão |
| Parente com número novo | Transferência urgente | No número antigo, já salvo, ou com outro familiar |
| Entrega pendente | Taxa ou atualização de dados | No site ou aplicativo da loja onde você comprou |
| Suporte inesperado | Acesso remoto, instalação ou código | Em um atendimento oficial iniciado por você |
| Oferta ou prêmio | Pagamento antecipado ou dados | No site oficial da empresa, procurado fora do anúncio |
1. Falso banco: problema urgente na conta
O contato fala em compra suspeita, bloqueio, atualização de cadastro ou falha de segurança. O nome exibido pode parecer familiar e a pessoa pode conhecer alguns dos seus dados. Isso não confirma que o contato veio do banco.
O sinal principal está no caminho oferecido para resolver o problema. A mensagem tenta manter você dentro da conversa e manda abrir um link, instalar um programa, dizer a senha ou passar o código que chegou ao celular. Exemplo fictício: “Detectamos uma compra pendente. Acesse agora para cancelar”.
O que fazer sem usar o contato recebido
Encerre a conversa. Abra você mesmo o aplicativo que já usa ou procure o canal oficial no site digitado por você. Não ligue para o número da própria mensagem e não use o botão enviado. Senha e código de verificação devem continuar secretos.
Se a dúvida começou por uma mensagem de texto, veja como identificar um SMS falso do banco e o que fazer se já abriu o link.
2. Falso parente: número novo e pedido de dinheiro
Uma pessoa aparece com foto e nome de alguém conhecido, diz que trocou de número e começa uma conversa parecida com a que você teria em família. Depois vem o pedido de transferência, geralmente acompanhado de uma explicação para não falar pelo número antigo.
A conversa íntima é usada para você não duvidar de quem está falando. A ação esperada é enviar dinheiro antes de falar com a pessoa verdadeira. Exemplo fictício: “Meu celular estragou e este é meu número provisório. Você consegue pagar uma conta para mim agora?”.
Como confirmar quem está falando
Ligue para o número antigo que já estava salvo. Se não houver resposta, procure outro meio que você conheça, como o telefone de casa ou um familiar próximo. Não use somente informações fornecidas na nova conversa, porque todas elas fazem parte da história apresentada.
Para preparar a família sem bronca nem culpa, leia como combinar uma forma simples de confirmar pedidos de dinheiro.
3. Falsa entrega: taxa pequena para liberar uma encomenda
A mensagem diz que uma compra está retida, que o endereço precisa ser corrigido ou que falta uma taxa. Esse contato fica mais convincente quando você realmente está esperando uma encomenda, mas a coincidência não comprova a origem.
A ação pedida costuma ser pequena e rápida: abrir um endereço, informar dados do cartão ou pagar uma taxa. Exemplo fictício: “Sua entrega está pendente. Atualize o endereço e pague a liberação até hoje”. O valor baixo pode fazer a checagem parecer desnecessária, mas também pode levar a uma página criada para recolher dados.
Onde consultar a entrega de verdade
Abra o aplicativo em que fez a compra ou digite o endereço oficial da loja. Consulte o rastreio pelo pedido ou confirme com o atendimento oficial da loja. Não use o link, o QR Code ou o telefone enviados na cobrança inesperada.
Se a página imita uma loja ou transportadora, veja como conferir o endereço e outros sinais de um site falso.
4. Falso suporte: ajuda que aparece sem você pedir
Alguém liga ou manda mensagem dizendo que encontrou uma invasão, uma cobrança ou um defeito no aparelho. A conversa parece atendimento, mas o objetivo é conseguir acesso ao celular, à conta ou às informações que protegem o login.
A Anatel descreve golpes de falso atendimento em que criminosos se passam por instituições e orienta procurar o canal oficial por conta própria. Nesse tipo de contato, a ação pedida pode ser instalar um aplicativo de acesso remoto, compartilhar a tela, abrir um link ou informar um código.
Por que a instalação e o código exigem cuidado
Um programa de acesso remoto permite que outra pessoa veja ou controle ações no aparelho. Já um código de verificação pode ser usado para confirmar uma entrada ou uma mudança de conta. Se o atendimento surgiu sem ser solicitado, não instale nada nem passe o código. Encerre o contato e inicie você mesmo um atendimento no aplicativo ou site oficial.
Se o contato dizia ser do WhatsApp (o WhatsApp não faz esse contato; quem faz é o golpista usando o nome dele) e você passou um código de verificação do WhatsApp ou perdeu o acesso à conta, siga as orientações de como recuperar o WhatsApp e avisar seus contatos.
5. Oferta ou prêmio: vantagem que depende de pagar antes
O anúncio promete um produto muito barato, um benefício ou um prêmio. Para liberar a vantagem, pede um pagamento, cadastro, senha ou dado do cartão. Também pode dizer que o prazo termina em poucos minutos, para impedir que a pessoa procure a empresa fora daquele anúncio.
A promessa não deve ser conferida no mesmo lugar que a apresentou. Exemplo fictício: “Você ganhou um prêmio. Pague apenas a taxa de envio para receber”. Mesmo que o perfil tenha comentários, fotos e aparência profissional, essas partes podem ter sido preparadas para sustentar a história.
Como verificar a oferta fora do anúncio
Procure o nome da empresa por conta própria, entre no site oficial e veja se a campanha aparece ali. Confira também quem receberá o pagamento antes de concluir. Se o nome do recebedor não combina com a empresa ou com a compra, não continue até entender por quê.
Antes de pagar, use as verificações de como saber se uma empresa é confiável sem depender do anúncio dela.
O que mudou em 2025 e 2026
As cinco situações continuam acontecendo, e algumas versões novas ganharam alertas de órgãos públicos e da imprensa nos últimos meses. O pedido embaixo da história continua o mesmo: dinheiro, dados ou acesso.
Falso advogado
Criminosos usam dados reais de processos, como o número da ação, o nome das partes e o andamento, para se passar pelo advogado da pessoa. Dizem que há dinheiro a receber e pedem o pagamento antecipado de uma taxa para liberar o valor, segundo o Conselho Nacional de Justiça, em março de 2026. Os dados de processo costumam ser públicos, por isso acertar o número da ação não prova nada. Ligue para o seu advogado pelo telefone que você já tinha. O TJDFT lembra que o golpe não muda o andamento do processo.
Voz imitada com inteligência artificial
Em janeiro de 2026, a Polícia Civil do Paraná alertou para áudios falsos: golpistas se passaram por um homem de Cascavel com número novo e mandaram à avó dele um áudio com a voz da mãe, confirmando o pedido de pouco mais de R$ 1 mil. Segundo a polícia, poucos segundos de gravação bastam para copiar uma voz, e a polícia suspeita que a voz tenha sido copiada de postagens na internet. É o golpe do falso parente com um recurso a mais, e a defesa é a mesma: ligar para o número que você já tinha salvo, mesmo quando a voz parece certa.
Falso emprego e tarefa paga
Em maio de 2026, a Febraban alertou para falsos recrutadores que oferecem vagas com salário acima da média e poucas exigências e depois cobram curso, exame médico ou pedem documentos e dados bancários. Uma variação é a “tarefa” paga, como curtir fotos e seguir perfis de lojas: segundo a Febraban, os golpistas pagam pequenos valores no começo e, depois, pedem um depósito maior com a promessa de lucro no mesmo dia. A Febraban orienta desconfiar de qualquer trabalho em que seja preciso pagar antes de receber e procurar a empresa e a vaga nos canais oficiais dela.
Se você já fez o que pediram
A providência depende do que foi exposto. A cartilha do CERT.br sobre o que fazer depois de um golpe orienta interromper o contato, guardar as provas e procurar os canais oficiais envolvidos. Não apague a conversa antes de salvar mensagens, endereço da página, comprovantes e dados usados no contato.
- Se houve pagamento por Pix: no aplicativo do banco, abra o comprovante e use a opção de contestar, que todos os bancos precisam oferecer desde outubro de 2025, segundo o Banco Central. Se não achar, ligue para o banco. A análise depende do caso e não há garantia de devolução.
- Se pagou de outro jeito: avise o banco imediatamente por um canal oficial, diga que houve fraude e guarde o protocolo.
- Se informou senha ou código: use um aparelho seguro para trocar a senha exposta e verifique as opções de recuperação da conta no serviço oficial.
- Se instalou um programa ou permitiu acesso remoto: encerre a conexão e procure orientação oficial da instituição ou do serviço afetado usando outro aparelho confiável.
- Se enviou documento ou dado pessoal: acompanhe suas contas e desconfie de novos contatos que usem essas informações para parecer legítimos.
Para um pagamento por Pix, veja o que fazer logo após perceber o golpe. Se alguém estiver usando seu perfil do WhatsApp para falar com seus contatos, siga o passo a passo de recuperação do WhatsApp e aviso às pessoas próximas.
Um contato pode parecer verdadeiro
Golpes são preparados para fazer sentido no momento. Foto, nome, conhecimento de dados pessoais ou um assunto que você estava esperando não transferem a culpa para quem acreditou. A responsabilidade é sempre de quem aplicou o golpe.
Perguntas frequentes
Quais são os golpes mais comuns na internet?
Falso banco, falso parente, falsa entrega, falso suporte e oferta ou prêmio falso são situações frequentes documentadas por fontes oficiais. Elas não formam um ranking nem esgotam os golpes que existem.
Quais golpes novos apareceram em 2025 e 2026?
Receberam alertas de órgãos públicos e da imprensa o golpe do falso advogado, os áudios feitos com inteligência artificial para imitar a voz de parentes e as vagas de emprego falsas que cobram curso, exame ou depósito. O pedido continua sendo dinheiro, dados ou acesso.
Uma mensagem urgente é sempre golpe?
Não. A urgência é um motivo para diminuir o ritmo e conferir a situação fora da mensagem, mas não prova sozinha que o contato é falso. Procure o aplicativo, o site ou o número oficial por conta própria.
Como saber se um link é falso antes de abrir?
Não dependa apenas da aparência do endereço. Em vez de abrir o link recebido, digite o endereço oficial ou use o aplicativo que já estava instalado. Assim, a checagem não fica limitada à página enviada pelo possível golpista.
O que fazer se eu já cliquei ou passei meus dados?
Feche a página e não instale nada. Se informou senha, código ou dado de pagamento, procure o serviço envolvido pelo canal oficial e troque a senha exposta em um aparelho seguro. Guarde a mensagem e o endereço acessado.
O banco consegue devolver um pagamento feito em golpe?
Não existe garantia de devolução. Se foi Pix, abra o comprovante no aplicativo do banco e use a opção de contestar. Em qualquer caso, avise o banco, informe que houve fraude e guarde o protocolo. Veja o que fazer depois de um golpe do Pix.
Fontes consultadas
Os dados, alertas e orientações foram checados em 18/09/2026 nestas páginas:
- Agência Senado: golpes digitais atingem 24% da população, pesquisa DataSenado de 2024
- Ministério da Justiça: glossário de fraudes bancárias digitais
- CERT.br: Golpes, evite fraudes
- CERT.br: Golpes, o que fazer
- Anatel: golpes atuais mais comuns
- CNJ: golpe do falso advogado (03/03/2026)
- TJDFT: alerta sobre o golpe do falso advogado
- g1: golpistas simulam voz com inteligência artificial no Paraná (29/01/2026)
- Febraban: golpe do falso emprego (12/05/2026)
- Febraban: golpe da tarefa
- Banco Central: mudanças no Mecanismo Especial de Devolução do Pix
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