Como proteger seus pais
de golpes digitais.

Para proteger seus pais de golpes digitais, combine com eles como ganhar tempo diante de um pedido urgente, por qual contato confirmar pedidos de dinheiro e quem procurar se algo acontecer, sem vigiar o celular nem decidir por eles.

Duas figuras sentadas lado a lado olhando juntas para um celular

O combinado em cinco pontos

  1. Uma frase para ganhar tempo, escolhida pela própria pessoa, para encerrar qualquer pedido urgente. Veja como escolher.
  2. Dois contatos de confiança, com números que já estavam salvos, para confirmar pedidos de dinheiro.
  3. O canal oficial de cada serviço, anotado a partir do aplicativo, do cartão ou do site digitado, e nunca de uma mensagem recebida.
  4. Limites e alertas do banco revistos juntos, do jeito que a pessoa decidir.
  5. Um roteiro para quando algo acontecer, sem bronca: parar o contato, guardar as provas e avisar o banco. Veja o roteiro.

A proteção dos seus pais contra golpes digitais começa por uma conversa entre adultos. A idade, sozinha, não causa um golpe. Mensagens falsas são preparadas para parecer urgentes, conhecidas e verdadeiras, e podem enganar pessoas de qualquer idade. Uma pesquisa do DataSenado de 2024, com quase 22 mil entrevistados, mostrou que 27% das vítimas de golpes digitais tinham de 16 a 29 anos, e 16% tinham mais de 60. Segundo o coordenador do instituto, os dados não mostram que idosos sofrem mais golpes.

O papel da família é facilitar uma saída quando surgir dúvida, sem tomar o celular, expor mensagens ou controlar cada pagamento. A pessoa mais velha precisa participar das escolhas porque é ela quem conhece a própria rotina, os contatos e os serviços que usa.

Comece por um acordo feito em conjunto

Escolham um momento tranquilo, fora de uma tentativa de golpe, e conversem sobre situações concretas: um pedido de dinheiro de um familiar, alguém dizendo ser do banco ou uma cobrança que chega com prazo curto. Em vez de tentar decorar todos os golpes, decidam o que cada pessoa fará quando uma história assim aparecer.

O acordo pode ser simples: ninguém precisa resolver um pedido urgente na mesma conversa em que ele chegou. Quem recebeu a mensagem pode encerrar o contato, procurar um número já conhecido e pedir companhia se ainda houver dúvida. O CERT.br orienta confirmar pedidos por um contato conhecido, sem usar o número ou o link enviado pela própria mensagem.

Escolham uma frase para ganhar tempo

Uma frase pronta ajuda quando a outra pessoa cobra uma decisão imediata. Pode ser: “Vou verificar e respondo depois.” Ela serve para encerrar a pressão sem discutir, justificar ou provar que existe um golpe.

A frase deve ser escolhida pela própria pessoa e soar natural para ela. Se preferir, pode dizer que precisa falar com alguém da família, abrir o aplicativo ou consultar um documento. O importante é que a resposta devolva tempo para decidir.

Um exemplo

Um pai recebe a ligação de alguém que diz ser da central do banco e pede que ele faça um Pix de teste para “proteger a conta”. Ele responde com a frase combinada, “Vou verificar e respondo depois”, desliga e liga para a filha, que abre com ele o aplicativo do banco: não há aviso nenhum. Ele bloqueia o número e conta para o resto da família.

Pessoa adulta e familiar mais velho conversam juntos sobre uma mensagem no celular
Cena ilustrativa: combinar como confirmar pedidos ajuda sem tirar a autonomia de ninguém.

Definam um contato alternativo

Para pedidos de familiar, escolham números que já estejam salvos e uma segunda pessoa para ajudar quando o primeiro contato não puder atender. Se chegar uma mensagem de um número novo, liguem para o número antigo. Se a história envolver banco, loja ou órgão público, procurem o aplicativo, o site ou o telefone oficial por conta própria.

A Anatel recomenda buscar o canal oficial sem seguir o contato recebido. Essa separação é importante porque uma ligação feita para o número indicado na mensagem pode voltar ao próprio golpista.

Um combinado que funciona à distância

Se vocês moram longe, definam duas pessoas que possam ser procuradas. Assim, a pessoa mais velha não fica dependente de um único familiar nem precisa esperar alguém controlar o que ela faz.

Revejam limites e alertas juntos

Abra os aplicativos apenas com a autorização da pessoa e revejam as opções que já existem neles. Ela pode escolher quais avisos de movimentação quer receber, se os limites de pagamento combinam com sua rotina e se vale ativar uma proteção adicional nas contas que oferecem esse recurso.

A verificação em duas etapas acrescenta uma barreira ao acesso e é recomendada pelo CERT.br, mas não impede todo tipo de golpe. Também não adianta criar uma senha que só o familiar conhece: isso pode dificultar o acesso legítimo e tirar autonomia. A pessoa deve saber como entrar na própria conta e onde guardou a informação de recuperação.

Limites menores podem reduzir o valor disponível para uma transferência imediata, mas precisam ser escolhidos de acordo com os pagamentos reais de quem usa a conta. Pelas regras do Banco Central, o Pix para pessoa física entre 20h e 6h já tem limite de R$ 1.000, a menos que o cliente peça outro valor; durante o dia, o limite é definido por cada banco. Não mude configurações escondido nem trate uma preferência diferente como erro. O objetivo é chegar a uma decisão conjunta e compreendida.

Deixem contatos úteis à mão

Uma lista curta evita que a pessoa procure ajuda no mesmo anúncio, mensagem ou ligação que causou a dúvida. Incluam:

  • dois familiares ou amigos de confiança, com telefone já conhecido;
  • o canal oficial do banco, copiado do aplicativo, do cartão ou do site digitado pela própria pessoa;
  • o contato da operadora, caso o celular ou a linha parem de funcionar;
  • o caminho para recuperar contas importantes, sem anotar senhas em um papel exposto.

Essa lista pode ficar impressa em casa ou salva com um nome fácil de encontrar. Revise quando um telefone mudar. Se houver mais de uma pessoa ajudando, combinem quem faz o quê para evitar orientações diferentes ao mesmo tempo.

O que combinar para cada tipo de pedido

Não é preciso investigar a mensagem inteira. Algumas ações curtas ajudam a sair da história apresentada:

  • Pedido de dinheiro: procure a pessoa pelo número antigo e, antes de pagar, leia o nome de quem vai receber. Se o nome não corresponder à história, não prossiga.
  • Pedido de código ou senha: não compartilhe. Encerre o contato e abra o serviço por um caminho conhecido.
  • Pedido para instalar aplicativo ou liberar acesso ao celular: não instale durante a ligação. Procure o suporte oficial fora daquele contato.
  • Link para cobrança ou entrega: não use o endereço recebido. Entre no site ou aplicativo que a pessoa já conhecia.
  • Pedido de segredo: fale com alguém de confiança. A tentativa de impedir uma segunda opinião merece cautela.

O que o banco nunca pede

Segundo a Febraban, a federação dos bancos, nenhum banco liga para pedir senha, código ou dados pessoais, pede transferência para resolver problema na conta, manda instalar ou atualizar aplicativo nem envia motoboy para buscar cartão. Funcionário de banco também não liga para fazer teste com o Pix. Se alguém pedir uma dessas coisas em nome do banco, é golpe: desligue e procure o banco pelo aplicativo ou pelo número do cartão.

A voz também pode enganar. Em janeiro de 2026, a Polícia Civil do Paraná alertou para áudios falsos feitos com inteligência artificial: golpistas se passaram por um homem de Cascavel com número novo e mandaram à avó dele um áudio com a voz da mãe, confirmando o pedido de pouco mais de R$ 1 mil. Por isso, a ligação para o número antigo vale mesmo quando o áudio parece da pessoa certa. As outras histórias que se repetem estão em golpes mais comuns na internet, e os cuidados do dia a dia, em como não cair em golpe.

Ninguém precisa investigar cada mensagem. Se a situação continuar confusa, é válido não pagar, não clicar e resolver depois.

Pratiquem o combinado sem susto

Depois de escolher a frase e os contatos, façam um ensaio curto com uma situação claramente fictícia. Uma pessoa pode dizer: “chegou um pedido de dinheiro de um número novo”. A outra mostra como encerraria a conversa, onde buscaria o número antigo e quem procuraria se ninguém atendesse. O objetivo é que todos saibam o caminho.

Não envie uma mensagem falsa escondida para testar a reação de alguém. Além de causar preocupação, isso quebra a confiança necessária para que uma dúvida seja compartilhada depois. Se alguma etapa estiver difícil, ajustem juntos: deixem os contatos mais fáceis de encontrar, aumentem o tamanho da letra ou anotem o caminho até o atendimento oficial. A adaptação deve resolver uma dificuldade real apontada pela própria pessoa.

Converse sem transformar cuidado em controle

Evite começar com “você não entende de celular” ou “me manda tudo antes de pagar”. Isso trata a pessoa como incapaz e pode fazer com que ela esconda uma dúvida por medo de bronca. Pergunte quais situações a preocupam e quais formas de ajuda ela aceita.

Conte também os cuidados que você usa. Um acordo para todos fica mais respeitoso do que uma regra criada apenas para quem é mais velho. Se alguém preferir pedir ajuda a outra pessoa da família, essa escolha também precisa ser respeitada.

Não abra mensagens sem permissão, não peça senhas e não altere limites em segredo. Quando houver necessidade real de apoio mais próximo, conversem sobre o motivo, o que será acompanhado e por quanto tempo.

Se alguma coisa já aconteceu

Comece sem cobrança. Golpes são feitos para enganar, e a culpa é de quem aplicou. Pergunte o que aconteceu e se houve pagamento, entrega de senha ou código, instalação de aplicativo ou perda de acesso a alguma conta.

Depois, interrompam o contato, guardem mensagens, números e comprovantes e procurem a instituição envolvida pelo canal oficial. O CERT.br recomenda preservar as provas e proteger as contas afetadas. Se uma senha foi informada, troque-a em um aparelho seguro. Se houve Pix, abram o comprovante no aplicativo do banco e usem a opção de contestar; se não acharem, liguem para o banco. O passo a passo está em o que fazer depois de um golpe do Pix, e a devolução não é garantida.

Se uma conta do WhatsApp foi tomada, siga o passo a passo para recuperar o acesso e avisar os contatos. Quando houver ameaça, coerção ou perigo imediato no Brasil, ligue 190. Para uma fraude já encerrada, registre a ocorrência online, quando disponível no seu estado e para aquele tipo de caso, ou presencialmente.

Perguntas frequentes

Preciso acompanhar todos os pagamentos dos meus pais?

Não. A proteção pode ser organizada com acordos, contatos conhecidos e configurações escolhidas em conjunto. Acompanhar cada pagamento sem consentimento tira autonomia e ainda pode fazer a pessoa esconder uma dúvida.

Como ajudar se moramos longe?

Combinem uma frase para ganhar tempo, dois contatos de confiança e os canais oficiais mais usados. Assim, a pessoa tem mais de uma opção quando você não puder atender.

Vale reduzir o limite do Pix?

Pode valer se o novo limite atender aos pagamentos reais da pessoa. A mudança deve ser decidida com ela e ajuda a limitar uma transferência imediata, mas não impede todos os golpes.

O que dizer quando a pessoa já caiu em um golpe?

Diga que a culpa é de quem aplicou o golpe e ajude a interromper o contato, guardar as provas e procurar a instituição envolvida pelo canal oficial. A prioridade é reduzir o dano, não procurar um erro da vítima.

Uma lista de golpes é suficiente?

Não. As histórias mudam, e nenhuma lista cobre tudo. É mais útil combinar como sair da pressão, procurar um contato conhecido e pedir ajuda sempre que houver dúvida.

Fontes consultadas

Os dados e as orientações foram checados em 18/09/2026 nestas páginas:

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