Como diferenciar um site fake
de um site real.
Para diferenciar um site fake de um site real, confira o endereço completo, abra o canal oficial por conta própria e compare empresa, oferta e recebedor do pagamento. HTTPS protege a conexão, mas não é selo de honestidade. A idade do domínio também é só contexto, nunca prova de fraude.

Uma página falsa pode copiar nome, fotos, descrição, avaliações e rodapé de uma loja verdadeira. Por isso, aparência profissional não basta para confirmar quem controla o endereço.
Comece pelo domínio registrável, que é a parte principal do endereço ligada ao responsável pelo site. Depois confira o canal oficial e o pagamento fora da página recebida. Nenhum sinal isolado produz certeza, mas informações que não combinam são motivo para não continuar.
O que verificar em um minuto
Se você está prestes a pagar, faça só isto:
- Leia o endereço na barra do navegador, letra por letra. Leia o endereço, e não o nome escrito na página.
- Procure o CNPJ no rodapé e confira o nome da empresa na consulta oficial da Receita Federal.
- Pesquise o nome da loja no Google com a palavra reclamação, fora do site dela.
- Confira quem receberá o pagamento. Compare o nome mostrado pelo banco ou pelo checkout com a empresa consultada.
Se algum dado não combinar, não pague ainda. Saia da página e procure o endereço oficial por conta própria antes de continuar.

1. Leia o endereço letra por letra
O endereço completo merece atenção porque palavras conhecidas podem aparecer em partes que não identificam o responsável pelo domínio. A cartilha do CERT.br recomenda digitar o endereço conhecido e conferir cuidadosamente o domínio, em vez de depender do link recebido.
Use este endereço fictício reservado como exemplo: https://pagamento.loja-exemplo.example/pedido. O protocolo é “https://”, o nome completo do site é “pagamento.loja-exemplo.example”, o domínio registrável é “loja-exemplo.example” e o caminho é “/pedido”. A terminação “.example” é reservada para exemplos e não identifica um site real. Para conferir o responsável por um endereço recebido, compare o domínio registrável com o endereço oficial encontrado por você. O artigo como verificar se um link é seguro mostra outros truques, como o arroba no meio do endereço e as letras de outro alfabeto.
- Letra trocada ou dobrada. Uma letra a mais, um “i” que virou “l”, um “m” que virou “rn”.
- Palavra colada no fim. Algo como “lojaoficial”, “promo”, “brasil”, “shop” grudado no nome real.
- Marca em subdomínio ou caminho. Uma palavra conhecida pode aparecer antes do domínio registrável ou depois do nome do site, no caminho, sem tornar o endereço oficial.
- Final estranho. Terminações incomuns, ou um endereço gratuito com o nome da marca dentro.
Dois cuidados ajudam: não abra o site pelo link da mensagem e, na dúvida, digite o endereço você mesmo ou entre pelo aplicativo que já está instalado no seu aparelho.
2. Procure o CNPJ e confira na Receita
Procure o CNPJ no rodapé, nos termos de uso ou na política de privacidade. A ausência do número, um cadastro inválido ou dados que não combinam com a oferta pedem investigação. Nenhum desses sinais, sozinho, permite afirmar que a loja é falsa.
Por isso não basta ver que tem número. Copie o CNPJ e consulte na Receita Federal. Depois compare três coisas: a razão social bate com a loja, a situação está ativa, e a atividade tem a ver com o que está sendo vendido.
Não estranhe se o número tiver letras. Desde julho de 2026, a Receita Federal dá CNPJ com letras e números às empresas abertas a partir dessa data, e os números antigos continuam valendo. Para ir além do CNPJ, o guia como saber se uma empresa é confiável mostra o que mais consultar antes de pagar.
3. Veja a idade do site
Para endereços terminados em ponto br, o Whois do Registro.br permite consultar o domínio. Conforme a disponibilidade pública, o resultado pode mostrar data de criação e dados cadastrais.
Um domínio registrado há pouco tempo pede mais cuidado quando aparece junto de preço incomum, contato que não funciona ou recebedor diferente. Sozinha, a idade não prova nada: site novo pode ser legítimo, e site antigo pode ter sido invadido.
4. Desconfie do preço e da pressa
Um preço muito abaixo dos demais e um prazo curto pedem uma checagem adicional antes do pagamento.
- Preço fora da faixa: compare com outras lojas sem usar apenas o valor do anúncio.
- Prazo que termina em minutos: relógio, “últimas unidades” e ameaça de perder a oferta tentam impedir a checagem.
- Desconto condicionado ao Pix: confirme empresa e recebedor antes de abrir mão de outras formas de pagamento.
5. Teste os canais de contato
Não basta existir um telefone na página. Procure o canal da empresa fora do link recebido e faça uma pergunta concreta sobre o pedido, a entrega ou a devolução. Um contato que não responde ou só repete mensagens prontas não prova fraude, mas deixa uma dúvida importante sem resposta.
Compare o telefone, o e-mail e o endereço com os dados encontrados no cadastro e nos canais oficiais. Uma empresa pode usar serviços de e-mail diferentes; o que importa é a coerência entre identidade, atendimento e oferta.
6. Procure a loja fora do site dela
O conteúdo do site, inclusive as avaliações exibidas nele, é uma fonte da própria loja. Consulte também fontes externas e compare as informações.
- Pesquise o nome da loja no Google junto com a palavra reclamação.
- Veja se existe reclamação registrada e, principalmente, se a empresa responde.
- Confira as redes sociais: perfil recente, pouco histórico e comentários limitados são sinais para buscar mais informações, não provas de fraude.
- Consulte o consumidor.gov.br, onde empresas cadastradas respondem publicamente.
Também é possível consultar o endereço no status do site no Google Safe Browsing. Um alerta conhecido é motivo para sair da página. A ausência de alerta não é selo de segurança, porque a classificação reflete o que o serviço conhece naquele momento.
7. Olhe a forma de pagamento
A forma de pagamento define o que dá para fazer se houver um problema. Pix e transferência não são cancelados automaticamente. No cartão, pode existir uma contestação junto ao banco ou à operadora, mas o resultado depende da análise, e nenhum meio de pagamento garante recuperação.
Antes de confirmar, compare o nome do recebedor com a empresa consultada. Se o pagamento sair do site para uma chave, conta ou link enviado por mensagem, pare e confirme a cobrança pelo canal oficial encontrado por você.
O cadeado não prova nada
O HTTPS protege a conexão entre o navegador e o site, mas não prova que a loja seja honesta. A orientação do Google Chrome sobre conexão segura também manda conferir o nome do site antes de informar dados. Trate o HTTPS como requisito técnico, não como selo comercial.
No Chrome, o cadeado nem aparece mais: desde a versão 117, de setembro de 2023, a barra de endereço mostra um ícone de ajustes no lugar dele. A equipe do Chromium explicou que muita gente lia o cadeado como sinal de site confiável, quando quase todo site de phishing, o site falso feito para roubar dados, também usa HTTPS.
Como saber se um site é seguro para comprar
Não existe um selo único que diga se um site é seguro para comprar. O que funciona é juntar os sinais acima e completar com duas consultas feitas fora do site da loja.
- Reclame Aqui: mostra reclamações de consumidores e se a empresa responde. Muitas queixas sem resposta pedem cuidado. Uma página sem reclamações não prova nada, porque um site falso criado há poucos dias ainda não tem histórico, e um site que imita uma loja famosa se aproveita da boa fama dela.
- Lista Evite esses sites, do Procon-SP: reúne lojas online que tiveram reclamações registradas no órgão, foram notificadas e não responderam ou não foram encontradas. Estar na lista é um alerta forte. Não estar nela não aprova o site, porque só entram lojas que já receberam reclamações no Procon de São Paulo e passaram por esse processo.
Essas consultas mostram o histórico de uma empresa, não dão veredito sobre ela. Use o resultado junto com o endereço, o CNPJ e o nome de quem recebe o pagamento.
Um exemplo: a promoção do tênis
Um exemplo
Lúcia vê um anúncio de um tênis de corrida por menos da metade do preço, com mais 10% de desconto no Pix e um relógio dizendo que a oferta acaba em 15 minutos. O site tem as fotos e o rodapé da loja que ela conhece. Antes de pagar, ela faz a checagem de um minuto.
- O endereço. Na barra do navegador está tenisexemplo-outlet.example, e a loja que ela conhece fica em tenisexemplo.example. A palavra “outlet” colada no nome já é motivo para parar.
- O CNPJ. O rodapé mostra um número, mas na consulta da Receita ele pertence a uma empresa de outro ramo, com outro nome.
- Fora do site. Pesquisando o nome com a palavra reclamação, ela encontra relatos recentes de quem pagou e não recebeu.
- O recebedor. Na tela de confirmação do Pix, o dinheiro iria para uma pessoa física, e não para a loja.
Nenhum desses sinais, sozinho, provaria o golpe. Juntos, mostram que a página não é da loja que Lúcia conhece. Ela fecha o anúncio, digita o endereço da loja verdadeira e vê que por lá o tênis custa o preço normal.
Se você já pagou
Entre em contato com o banco assim que perceber o problema. O culpado é quem montou o site falso, não você.
- Pagou no cartão? Peça contestação ao banco ou à operadora, pelo aplicativo oficial ou pelo telefone atrás do cartão.
- Pagou por Pix? Abra o comprovante no aplicativo do banco e use a opção de contestar. Ela aciona o MED, o mecanismo do Banco Central para devolver Pix feito em golpe, que pode devolver o que ainda estiver na conta de quem recebeu ou nas contas para onde o dinheiro foi transferido. Se não achar a opção, ligue para o banco. O passo a passo está em golpe do Pix: o que fazer se o pagamento já foi feito.
- Pagou por transferência? Avise o banco imediatamente e pergunte quais medidas se aplicam ao seu caso.
- Guarde tudo. Endereço do site, comprovante, conversas e a página do produto.
- Registre ocorrência e, se a loja estiver cadastrada, abra reclamação no consumidor.gov.br.
Aconteceu agora
O passo a passo completo está em já enviei dinheiro, ainda dá tempo de bloquear?. Em risco físico imediato, no Brasil, ligue 190.
Perguntas frequentes
Como saber se um site é confiável em poucos segundos?
Confira o domínio registrável, procure o canal oficial por conta própria, consulte a empresa e compare o nome de quem receberá o pagamento. Se os dados não combinarem, não continue até entender a diferença.
O cadeado no navegador quer dizer que o site é seguro?
Não. O HTTPS protege a conexão entre o navegador e a página, mas não prova que a loja seja honesta. No Chrome, o cadeado deu lugar a um ícone de ajustes desde a versão 117. Confira também o domínio, a empresa, o canal oficial, a oferta e o recebedor do pagamento.
CNPJ ativo garante que a loja é de verdade?
O CNPJ ativo confirma que o cadastro existe. Não garante que o site pertença à empresa consultada nem que a oferta seja honesta. Compare razão social, atividade, endereço, contato e recebedor. Um CNPJ com letras é normal em empresas abertas desde julho de 2026.
Comprei e o site sumiu. Dá para recuperar?
Avise o banco imediatamente pelo canal oficial e explique o que aconteceu. No cartão, peça a contestação da compra. No Pix, abra o comprovante no aplicativo e use a opção de contestar, que aciona o mecanismo de devolução do Banco Central. Guarde comprovante, endereço e conversas. Não existe garantia de recuperação.
Anúncio de rede social é mais arriscado?
Um anúncio não prova que a loja seja legítima ou falsa. Se a oferta interessar, saia do anúncio, procure o endereço oficial por conta própria e compare empresa, oferta e pagamento antes de continuar.
Fontes consultadas
As consultas e regras citadas foram checadas em 18/09/2026 nestas páginas:
- Receita Federal: consulta de CNPJ
- Receita Federal: CNPJ alfanumérico
- CERT.br: fascículo Golpes, Evite Fraudes
- Registro.br: consulta Whois
- Google: status do site no Safe Browsing
- Ajuda do Chrome: conferir se a conexão de um site é segura
- Blog do Chromium: a troca do cadeado pelo ícone de ajustes, em inglês
- Procon-SP: lista Evite esses sites
- Reclame Aqui
- consumidor.gov.br
- Banco Central: como funciona o Mecanismo Especial de Devolução
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