Mulher ganha R$ 30 para curtir vídeos, deposita R$ 1.500 para subir de nível no grupo e descobre que o saque só seria liberado com mais um depósito

Renda extra para curtir vídeos que depois pede depósito é golpe: o primeiro pagamento é real para ganhar a sua confiança

Mulher jovem deitada de lado na cama à noite, sorrindo, com o rosto iluminado pela luz do celular num quarto escuro com ventilador e cortina ao fundo

Priscila e o grupo das tarefas

Priscila tem 31 anos e trabalha como vendedora numa loja de roupas em Maceió. Naquela quinta, depois de fechar o caixa e chegar em casa, recebeu uma mensagem educada, escrita em tom de empresa, dizendo que uma agência de divulgação procurava pessoas para curtir vídeos de lojistas nas redes sociais, pagando por tarefa e sem sair de casa.

A mensagem que ela recebeu

Olá! Seu contato foi indicado para nossa vaga de divulgação digital. O trabalho é simples: você curte vídeos das lojas parceiras e recebe por cada tarefa, direto no Pix. Leva poucos minutos por dia. Posso te explicar como começar?

Ela respondeu por curiosidade. A pessoa mandou três links de vídeos, pediu que ela curtisse e enviasse a imagem da tela como prova. Meia hora depois, caíram R$ 30 no Pix dela. Priscila conferiu no aplicativo do banco e o dinheiro estava lá, de verdade.

No dia seguinte, ela foi adicionada a um grupo com dezenas de participantes. O dia inteiro alguém postava comprovante de recebimento, agradecia a “mentora” e contava que tinha pago uma conta com o dinheiro das tarefas. No quarto dia, a mentora explicou que as tarefas gratuitas tinham limite e que, para subir de nível e ganhar mais, era preciso fazer uma “tarefa paga”: depositar R$ 1.500 e receber de volta, no mesmo dia, o valor com comissão.

Priscila fez o Pix. Um painel num site mostrou o saldo dela subindo para R$ 2.400. Quando ela pediu o saque, veio a resposta: a conta estava em nível novo e só seria desbloqueada com uma taxa de R$ 2.000. Ela pediu um tempo, desligou o celular e foi para a casa da irmã, a duas ruas dali. Sentadas na varanda, as duas fizeram a conta num caderno: tinham saído R$ 1.500 e entrado R$ 30. O saldo do painel era só um número na tela.

Por que o golpe da tarefa paga os primeiros valores?

O golpe da tarefa paga no começo para ganhar a confiança da pessoa antes de pedir um valor maior. Os R$ 30 da Priscila foram reais, e é justamente por isso que o resto da história pareceu verdadeiro.

A Febraban descreve esse roteiro num alerta sobre o golpe da tarefa, também chamado de golpe da renda extra. O contato chega por aplicativo de mensagem, com alguém que se apresenta como funcionário de uma empresa de marketing digital. A pessoa entra num grupo, faz tarefas simples como curtir fotos, comentar e seguir perfis, e recebe valores baixos no início. Depois aparece uma tarefa em que é preciso pagar para participar, com a promessa de receber mais no mesmo dia. Outros participantes publicam comprovantes para que a pessoa continue.

O que o pagamento pequeno faz

Ele serve de prova. Depois de ver o dinheiro cair na conta, fica difícil achar que a mesma empresa vai sumir com um depósito maior. O valor baixo é o custo que o golpista aceita pagar para chegar ao depósito alto.

O grupo cheio de comprovantes cumpre o mesmo papel. Não dá para saber quem ali é pessoa de verdade e quem faz parte do golpe, e as imagens de comprovante podem ser montadas.

Por fim, o painel com saldo crescente é uma tela feita pelo próprio golpista. O número que aparece ali não está em conta nenhuma. Ele serve para a pessoa sentir que tem dinheiro a receber e aceitar mais uma taxa para não perder o que acha que já ganhou.

Trabalho de curtir vídeos que pede depósito é golpe?

Sim. Proposta de trabalho em que você precisa pagar antes de receber é o sinal mais claro do golpe da tarefa, e a Febraban orienta a desconfiar de qualquer proposta assim e a nunca depositar dinheiro para garantir uma oportunidade ou um negócio.

Um trabalho de verdade paga você pelo que você faz. Ele não cobra entrada, não pede “tarefa paga” e não exige taxa para liberar o que você ganhou. Quando o pedido de dinheiro aparece, ele costuma vir com um nome que parece técnico: nível, pacote, missão combinada, taxa de desbloqueio, imposto de saque.

Outros sinais que aparecem juntos nesse golpe:

  • O convite chega sem você ter procurado a vaga, por mensagem de um número desconhecido.
  • A promessa de ganho é alta para um trabalho tão simples. O alerta da Febraban cita ofertas de R$ 100 a R$ 1.500 por dia.
  • Não existe contrato, empresa com endereço nem pessoa que você possa encontrar. Tudo acontece dentro do grupo e de um site que a própria “mentora” envia.
  • A pressa aumenta quando o valor aumenta. A tarefa paga vale só por algumas horas, o nível novo fecha à meia-noite.

Como pedir a devolução de um Pix feito para o golpe da tarefa?

O caminho é contestar o Pix pelo aplicativo do seu banco, usando o Mecanismo Especial de Devolução, o MED do Banco Central, que existe para vítimas de fraude, golpe ou coerção. A devolução não é garantida: ela depende de ainda haver dinheiro nas contas que receberam o Pix. Por isso, quanto antes, melhor.

  1. Não pague a taxa de desbloqueio nem outra tarefa. Cada depósito novo é mais dinheiro enviado para o mesmo golpe.
  2. Conteste o Pix no aplicativo do banco. Desde outubro de 2025 os bancos precisam oferecer a contestação dentro da área do Pix, sem precisar falar com atendente. Pelo guia do Banco Central, você entra no extrato, escolhe a transação e informa o tipo de golpe. Esse mesmo guia fixa o prazo de até 80 dias depois do Pix.
  3. Guarde tudo antes de sair do grupo. Imagens das conversas, do painel com o saldo, do número de quem mandou a primeira mensagem e dos comprovantes dos Pix enviados e recebidos.
  4. Registre a ocorrência. Pode ser na delegacia ou, nos estados que aderiram, pela delegacia virtual do gov.br. Descreva a ordem dos fatos, com datas e valores.
  5. Avise o banco pelos canais oficiais se você passou senha, código ou dados do cartão em algum momento, para bloquear o que for preciso.

Com as regras que o Banco Central aprovou em 2025, o MED também passou a seguir o dinheiro quando ele já foi passado para outras contas. Isso aumenta a chance de encontrar saldo, mas sem saldo não há o que devolver.

O Ministério da Justiça reúne orientações para quem teve perdas financeiras em um golpe, incluindo como juntar as provas antes de registrar a denúncia.

Duas mulheres sentadas na varanda de casa no fim da tarde, uma segurando um caderno com contas e a outra com a mão no ombro dela
Cena ilustrativa criada com inteligência artificial: contar o caso para alguém de fora do grupo ajuda a ver as contas com calma antes do próximo depósito.

Pagar a taxa de desbloqueio libera o saque?

Não. No golpe da tarefa, a taxa para liberar o saque é só o pedido seguinte. O saldo do painel não existe em conta nenhuma, então pagar a taxa não libera dinheiro: abre espaço para mais uma cobrança.

Depois da taxa pode vir um imposto, uma multa por atraso ou um valor para reativar a conta, sempre com a explicação de que falta só aquela. A Febraban descreve o fim do golpe com a pessoa bloqueada no grupo e os contatos sumindo.

No caso da Priscila, o pedido de R$ 2.000 veio com a frase de que o saque seria processado em minutos. Foi o valor alto que fez ela parar para conversar com a irmã. Quando já saíram R$ 1.500, a vontade de recuperar esse valor é o que o golpista usa para pedir mais.

O cuidado que mais ajuda

Se aparecer qualquer cobrança para liberar dinheiro que é seu, pare de pagar e trate o caso como golpe. Contar para alguém de fora do grupo ajuda a olhar os números com calma, longe da pressa que as mensagens criam.

O que aconteceu com a Priscila depois

Priscila não pagou os R$ 2.000. Na mesma noite, ainda na varanda da irmã, ela abriu o aplicativo do banco, encontrou o Pix de R$ 1.500 no extrato e fez a contestação, escolhendo a opção de golpe. No dia seguinte registrou a ocorrência pela internet, com as imagens do grupo e do painel.

O banco dela abriu a análise. O resultado ainda depende do que for encontrado na conta que recebeu o Pix e nas contas para onde o dinheiro possa ter ido depois. Pode voltar tudo, uma parte ou nada, e ela sabe disso.

Os R$ 30 que ela recebeu no começo continuam na conta. Ela deixou registrado no boletim de ocorrência de onde veio esse Pix, porque ele também é uma pista para a investigação.

O golpe foi montado para parecer um trabalho que funciona, com pagamento real, grupo animado e painel com saldo. A responsabilidade é de quem montou.

Fontes consultadas

A história de Priscila é um exemplo criado pela Prudents, com nomes e detalhes inventados. O golpe é real, e as regras e os caminhos descritos aqui têm fonte, listada abaixo.

Consulta feita em 28/09/2026.

Perguntas frequentes

Ganhar dinheiro curtindo vídeos é golpe?

O convite para curtir vídeos em troca de pagamento é a porta de entrada do golpe da tarefa. As primeiras tarefas costumam ser pagas de verdade, em valores baixos, e o golpe aparece quando pedem um depósito para continuar ou para subir de nível.

Recebi dinheiro de verdade das tarefas. Isso prova que é confiável?

Não. O pagamento inicial faz parte do golpe e serve para ganhar a sua confiança. Segundo a Febraban, os golpistas pagam as primeiras tarefas e depois oferecem uma tarefa paga com promessa de ganho alto.

Paguei a tarefa e agora pedem taxa para sacar. Devo pagar?

Não. O saldo que aparece no painel não existe em conta nenhuma, e cada taxa paga costuma ser seguida de outra. Pare de depositar, conteste o Pix no aplicativo do banco e registre a ocorrência.

Consigo o dinheiro de volta pelo MED?

Pode ser, mas não é garantido. O MED do Banco Central permite contestar o Pix em até 80 dias, e a devolução depende de ainda haver saldo nas contas que receberam o dinheiro. Por isso vale contestar no mesmo dia.

O que fazer com o dinheiro que recebi do grupo?

Não gaste nem transfira esse valor para ninguém do grupo. Informe esse Pix no boletim de ocorrência e ao banco, porque a conta que pagou você também pode ser uma pista para a investigação.

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