17 golpes que estão acontecendo em 2026
e como identificar cada um
Os golpes desta lista têm cenas bem diferentes, mas quase todos terminam no mesmo lugar: um pagamento com pressa, um código repassado ou um documento entregue a quem não é quem diz ser. Para cada um, você vê como a história costuma chegar e qual detalhe mostra que é golpe antes de você pagar.

O tamanho do problema em 2026
A Serasa Experian identificou 2.860.957 tentativas de fraude de identidade no primeiro semestre de 2026, 32,9% a mais que no mesmo período de 2025, segundo levantamento divulgado em 26 de agosto de 2026. Meios de pagamento concentraram 42,6% dos casos e telefonia, 22,1%.
O ranking de golpes mais recente da Febraban, a federação dos bancos, é do primeiro semestre de 2025 e foi divulgado em novembro daquele ano. Nele, a falsa venda ficou em primeiro lugar, com 174 mil ocorrências e alta de 314% sobre o mesmo período do ano anterior. Depois vieram a falsa central telefônica, com 139 mil relatos, e o golpe do WhatsApp, com 73 mil.
A lista abaixo junta os golpes desse ranking com alertas publicados em 2026 pelo Procon-SP e por tribunais de Justiça, além do consignado feito sem autorização, que ganhou uma lei nova este ano. Cada item termina com o sinal que costuma mostrar que é golpe antes de você pagar.
Golpes de compra e de venda
1. Falsa venda: a loja que não existe

É o golpe mais relatado aos bancos no último ranking da Febraban. O anúncio aparece em rede social, em resultado de busca ou em mensagem, com preço bem abaixo do normal e pouco tempo para decidir. A loja tem site completo, fotos boas e até avaliações. O pagamento é por Pix, e o produto nunca chega.
Como identificar: o preço muito abaixo do normal é o primeiro sinal. Antes de pagar, olhe o endereço do site com calma, procure o nome da loja fora do anúncio e veja o nome de quem vai receber o Pix. Se a loja diz ser uma empresa e o Pix vai para o nome de uma pessoa, não pague.
2. QR Code trocado na hora de pagar

O Procon-SP alertou, em setembro de 2026, para uma fraude que altera os dados do QR Code e do código copia e cola exibidos na tela final de compra em lojas virtuais, mandando o dinheiro para a conta de outra pessoa. Como o valor continua certo, a troca passa despercebida.
Como identificar: conferir só o valor não basta. Antes de confirmar, veja no aplicativo do banco se o nome e o CNPJ de quem vai receber batem com a loja ou com a empresa que processa o pagamento. Se aparecer um destinatário que não tem relação com a compra, não conclua o pagamento.
3. Falso motoboy e maquininha com visor quebrado

Os dois aparecem nas listas da Febraban e envolvem alguém que vai até a sua porta. No falso motoboy, uma pessoa liga dizendo ser do banco, avisa que o cartão foi clonado, pede para você cortar o cartão ao meio e digitar a senha no telefone, e diz que um motoboy vai buscar o cartão. Mesmo cortado, o chip continua funcionando. No golpe do delivery, o entregador leva uma maquininha com o visor quebrado ou com defeito, e a cobrança sai com um valor maior que o do pedido.
Como identificar: banco nenhum manda buscar cartão na casa do cliente, nem inteiro nem cortado. Na entrega, se não der para ver o valor na tela da maquininha, não digite a senha. Quando puder, pague pelo aplicativo na hora de fazer o pedido.
4. Boleto adulterado

Ficou em sexto lugar no ranking da Febraban. O boleto chega por e-mail ou vem de um site parecido com o da empresa, com o valor certo e o seu nome correto. O que muda são os dados de quem recebe o dinheiro, o beneficiário.
Como identificar: antes de pagar, olhe o nome e o CNPJ do beneficiário na tela do aplicativo do banco. O aplicativo mostra esses dados mesmo quando o PDF foi alterado. Se o boleto é de uma empresa e o beneficiário é outra, não pague.
Quem finge ser o banco ou uma empresa
5. Falsa central telefônica

Ficou em segundo lugar no ranking da Febraban, com 139 mil relatos e alta de 195,7% em um ano. A ligação começa com um aviso de compra suspeita ou de tentativa de acesso à conta. A pessoa do outro lado sabe seu nome, às vezes parte do cartão, e propõe uma ajuda: cancelar a transação, transferir o dinheiro para uma conta segura ou confirmar um código.
Como identificar: conta segura não existe, e banco não pede transferência para proteger dinheiro. O caminho é desligar e ligar você mesmo para o número do verso do cartão, nunca para o número que apareceu na tela ou que a própria pessoa passou.
6. Mão fantasma: o celular que se mexe sozinho

Está em nono lugar no ranking da Febraban. Alguém liga em nome do banco, diz que a conta foi invadida ou que há movimentações estranhas e manda um link para instalar um aplicativo que resolveria o problema. Esse aplicativo deixa o golpista controlar o celular de longe, e as transações começam a aparecer na tela sem que ninguém toque nela.
Como identificar: um atendimento legítimo não pede instalação de aplicativo enviado por link, nem pede o código que chegou por mensagem. Se a tela começar a se mexer sozinha, desligue os dados e o wi-fi e procure o banco por um canal oficial de outro aparelho.
7. Troca de cartão

Ficou em sétimo lugar no ranking da Febraban. Acontece na hora de pagar com o cartão físico: quem está do outro lado do balcão presta atenção enquanto você digita a senha na maquininha e, na hora de devolver, entrega outro cartão parecido. Com o seu cartão e a sua senha, faz compras com o seu dinheiro.
Como identificar: passe você mesmo o cartão na maquininha, confira o valor na tela antes de digitar a senha e, antes de guardar, olhe se o cartão que voltou tem o seu nome. Evite entregar o cartão na mão de outra pessoa.
8. Devolução de empréstimo

Ficou em oitavo lugar no ranking da Febraban. Entra na sua conta um dinheiro que você não esperava e, logo depois, alguém liga ou manda mensagem dizendo que houve um erro e pedindo a devolução por Pix ou boleto. Esse dinheiro costuma ser um empréstimo que o golpista contratou em seu nome, usando seus dados.
Como identificar: não devolva dinheiro que apareceu sem explicação a pedido de quem ligou. Abra o extrato, veja de onde veio e resolva com o banco pelos canais oficiais. Se o banco precisar que você devolva algum valor, ele faz isso pelos próprios canais.
9. Mensagem falsa com link para site clonado

Ficou em quinto lugar no ranking da Febraban. A mensagem chega por SMS, e-mail ou aplicativo, com um aviso de cadastro desatualizado, uma entrega parada com taxa para liberar ou uma cobrança em aberto. O link leva a uma página igual à verdadeira, que pede login, senha e código de confirmação.
Como identificar: olhe o endereço no topo do navegador, letra por letra, antes de digitar qualquer coisa. Na dúvida, feche tudo e entre pelo aplicativo oficial ou digitando o endereço você mesmo. Taxa de entrega, quando existe, aparece no site oficial dos Correios ou da transportadora, que você procura por conta própria.
Quem finge ser alguém conhecido
10. WhatsApp clonado e falso parente

Ficou em terceiro lugar no ranking da Febraban, com 73 mil ocorrências. Uma mensagem chega de um número desconhecido, com a foto de alguém da família, dizendo que trocou de aparelho e precisa de um Pix urgente. Em outra versão, a conta da própria pessoa é tomada com um código de verificação e as mensagens passam a sair do contato verdadeiro.
Como identificar: ligue para o número antigo, o que você já tinha salvo, e confirme falando com a pessoa. Pergunta pessoal também ajuda, mas a ligação vale mais. Nunca repasse código de verificação, mesmo quando o pedido parece vir de quem você conhece.
11. Voz clonada por inteligência artificial

O Procon de Pelotas, no Rio Grande do Sul, alertou para golpes que usam voz copiada por programa de inteligência artificial. O golpista grava a voz de alguém em uma ligação curta ou pega um áudio publicado na internet, e depois usa essa voz em uma chamada ou em um áudio pedindo dinheiro com urgência.
Como identificar: reconhecer a voz não basta mais para ter certeza. Combine com a família uma pergunta que só vocês saibam responder, e trate pedido urgente de dinheiro por áudio como suspeito até confirmar por ligação em um número já conhecido.
12. Falso advogado e falso processo

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal alertou, em julho de 2026, para golpistas que usam dados reais de processos judiciais, se passam pelo advogado da vítima ou por alguém do escritório e pedem um Pix para liberar valores da ação.
Como identificar: tribunal não cobra valor por telefone nem por aplicativo de mensagem para liberar dinheiro de processo. Antes de pagar, confirme com o seu advogado por um número que você já tinha e consulte o processo direto no site do tribunal.
Quem promete dinheiro
13. Falso investimento

Ficou em quarto lugar no ranking da Febraban. Aparece em anúncio, grupo de mensagens ou perfil que imita um analista conhecido, com promessa de retorno alto e garantido. No começo, a pessoa aplica pouco, vê o valor subir em uma tela e é incentivada a colocar mais. Na hora de sacar, o dinheiro não sai, ou aparece uma taxa nova a cada tentativa.
Como identificar: desconfie de rendimento garantido e muito acima do normal. Confira se a empresa tem autorização para oferecer investimento nos registros da Comissão de Valores Mobiliários e do Banco Central, e desconfie de qualquer taxa cobrada para liberar o próprio dinheiro.
14. Falso leilão e falso precatório

O Tribunal de Justiça de São Paulo alertou, em agosto de 2026, para quadrilhas que criam sites de leilão falsos, enviam cartas e ofícios imitando o tribunal e telefonam se passando por funcionários, inclusive em histórias sobre precatórios e acordos.
Como identificar: leiloeiro oficial consta em lista pública no site do tribunal, e pagamento de leilão judicial não é combinado por telefone nem por aplicativo de mensagem. Depósito antecipado para receber um valor é sempre motivo para parar.
15. Golpe em nome de órgão público

Em julho de 2026, o Procon-SP alertou para mensagens que usam o nome da própria instituição, com promessa de indenização, prêmio ou devolução de valores, além de avisos de pendência falsa, sempre com um link para clicar ou um pedido de dados pessoais e bancários.
Como identificar: órgão público não paga indenização por link de mensagem nem pede dados bancários por aplicativo. Procure o canal oficial por conta própria, pelo endereço do órgão, e confirme se existe algo em seu nome.
Quem quer seus documentos
16. Falsa vaga de emprego que coleta rosto e documentos

Em agosto de 2026, a polícia civil prendeu suspeitos de anunciar vagas falsas em redes sociais para coletar dados pessoais e reconhecimento facial de candidatos, usados depois para abrir contas e contratar financiamentos em nome das vítimas. As vagas anunciadas eram comuns, como motorista e entregador.
Como identificar: processo seletivo de verdade não começa pedindo selfie com documento, biometria facial ou taxa de cadastro. Confirme a existência da vaga pelo site oficial da empresa e desconfie de contratação imediata sem entrevista de verdade.
17. Empréstimo consignado que você não contratou

O desconto aparece direto no benefício, sem que a pessoa tenha assinado nada. Por causa desses casos, a Lei nº 15.327, de 6 de janeiro de 2026, passou a bloquear todos os benefícios para esse tipo de desconto, exigir desbloqueio com biometria e proibir contratação por telefone ou procuração.
Como identificar: confira o extrato de empréstimos no aplicativo Meu INSS de tempos em tempos, principalmente depois de receber ofertas por telefone. Aparecendo desconto que você não reconhece, conteste por escrito no banco e registre pelo telefone 135. A mesma lei manda devolver o valor atualizado em até 30 dias.
O que quase todos têm em comum
Os dezessete começam de formas diferentes, mas a maioria tem alguns pontos em comum: uma história com pressa, um contato que chegou até você sem você procurar e um pedido de dinheiro, código ou documento.
- A pressa. Prazo curto, conta que vai ser bloqueada, promoção que acaba agora. A urgência existe para tirar o tempo de conferir.
- O contato que veio até você. O link, o número e o aplicativo enviados na conversa são escolhidos pelo golpista. Quando você procura o canal oficial por conta própria, boa parte dessas histórias não se sustenta.
- O nome de quem recebe. Antes de confirmar qualquer Pix, o aplicativo do banco mostra quem vai receber. Nome de pessoa física em compra de loja, ou empresa que você nunca ouviu falar, é motivo para parar.
- O código que chega por mensagem. Ele serve para provar que você é você. Repassar esse código é entregar a conta, mesmo quando quem pede parece conhecido.
Se quiser ver essas cenas com mais calma, o artigo golpes mais comuns na internet destrincha cinco delas, e como não cair em golpe reúne os cuidados antes de clicar ou pagar.
Se o pagamento já foi feito
Se você caiu em um desses e já fez o pagamento, conteste no aplicativo do banco no mesmo dia. O prazo para pedir a devolução de um Pix feito por causa de golpe é de 80 dias, segundo o Banco Central, mas quanto antes você pedir, maior a chance de ainda haver dinheiro na conta do golpista.
O passo a passo completo está em golpe do Pix: o que fazer se o pagamento já foi feito. E o que o banco é obrigado a fazer a partir do seu aviso, com prazo e norma de cada obrigação, está em 16 coisas que o banco é obrigado a fazer.
Uma última coisa, que vale para todos os itens desta lista: a culpa por um golpe é sempre de quem aplica o golpe. Essas histórias são construídas para funcionar, e muitas delas enganam gente atenta.
Perguntas frequentes
Qual é o golpe mais aplicado hoje no Brasil?
No ranking mais recente da Febraban, a federação dos bancos, referente ao primeiro semestre de 2025, a falsa venda ficou em primeiro lugar, com 174 mil ocorrências comunicadas, seguida pela falsa central telefônica, com 139 mil, e pelo golpe do WhatsApp, com 73 mil.
Os golpes aumentaram em 2026?
As tentativas de fraude de identidade aumentaram. A Serasa Experian registrou 2.860.957 tentativas no primeiro semestre de 2026, 32,9% a mais que no mesmo período de 2025. Esse número mede tentativas de fraude em cadastros e validações de identidade, não o total de golpes aplicados no país.
O nome certo na tela do Pix garante que é seguro?
Não garante sozinho, mas ajuda bastante. O nome de quem recebe é uma das poucas informações que o golpista não consegue controlar. Compra em loja que cai na conta de uma pessoa física, ou em uma empresa sem relação com a compra, é motivo para não concluir o pagamento.
Como saber se uma mensagem do banco é verdadeira?
Não tente decidir pela mensagem. Feche ela, abra o aplicativo do banco por conta própria e veja se existe algum aviso lá dentro. Se preferir falar com alguém, ligue para o número do verso do cartão. Banco não pede senha, código de confirmação nem transferência para conta segura.
Recebi uma ligação com a voz de um parente pedindo dinheiro. O que fazer?
Encerre a ligação e telefone para o número que você já tinha salvo dessa pessoa. Programas de inteligência artificial conseguem copiar voz a partir de poucos segundos de áudio, então a voz parecida deixou de ser prova. Combinar uma pergunta de confirmação com a família resolve boa parte desses casos.
Vale a pena registrar boletim de ocorrência?
Vale. O registro documenta o caso, ajuda na investigação e costuma ser pedido em contestações, discussões sobre empréstimos abertos em seu nome e ações na Justiça. Ele pode ser feito pela delegacia eletrônica do seu estado, sem sair de casa.
Como proteger quem é mais visado, como pais e avós?
Combine uma regra simples de família: nenhum pagamento urgente pedido por mensagem ou ligação acontece sem uma confirmação por outro canal. Reduzir o limite do Pix, cadastrar contas conhecidas para valores maiores e conferir o extrato do consignado de tempos em tempos também ajudam.
Fontes consultadas
Os tipos de golpe, os números e os alertas citados foram checados em 23/09/2026 nestas páginas:
- Febraban: golpe da falsa venda é o mais aplicado contra clientes bancários no 1º semestre, com o ranking do primeiro semestre de 2025 e os números de cada tipo
- Febraban: os 10 golpes mais aplicados contra clientes bancários em 2024, com a descrição de cada modalidade
- Serasa Experian: Brasil registra quase 3 milhões de tentativas de fraude de identidade no 1º semestre, divulgado em 26 de agosto de 2026
- Procon-SP: novo golpe que altera o QR Code do Pix em compras online, de setembro de 2026
- Procon-SP: alerta sobre golpes que utilizam o nome da instituição, de julho de 2026
- Tribunal de Justiça de São Paulo: cuidado com golpes em falsos leilões, telefonemas, mensagens e sites, de agosto de 2026
- Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios: golpe do falso advogado, de julho de 2026
- Procon de Pelotas: alerta para golpes com voz copiada por inteligência artificial
- Metrópoles: golpe do falso emprego usa biometria das vítimas, com a operação da polícia civil de agosto de 2026
- Lei nº 15.327, de 6 de janeiro de 2026, com as regras novas do consignado do INSS
- Banco Central: o que é e como funciona o Mecanismo Especial de Devolução (MED), com o prazo de 80 dias para pedir a devolução
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